Harmonização enogastronômica é como apresentar duas pessoas que procuram uma cara metade. Como assim? Uma das metáforas que eu uso muito nas minhas palestras é o meu irmão encalhado, e ele nem sabe disso...
Meu irmão, Gil, tem 27 anos, solteiro, bonito, fino, inteligente, largou a profissão de fisioterapeuta e agora presta vestibular para medicina. Ele gosta de cachorro, adora crianças, é super baladeiro e gosta de viajar. Ele participa daqueles programas do Governo em que os profissionais viajam pelo Brasil para ajudar as populações carentes. Se eu fosse apresentar uma amiga minha pra ele, quem eu escolheria?
Eu poderia apresentar uma pessoa calma como ele, que goste de animais e crianças, paciente, lerda e parada, daí eles se dariam bem porque têm os mesmo interesses viajariam o país ajudando as pessoas mais carentes, ou ao contrário, se dariam muito mal porque a rotina e a chatice acabam com qualquer relacionamento.
Por outro lado, se eu apresentar alguém bem louca, yuppie, que trabalha num banco, workaholic, heavy smoker, materialista, fútil, que seja muito energética e que mande nele... ou ele se apaixona e casa, ou eles se matam, ou ela o mata, porque o menino é lerdo!
A primeira combinação é o que chamamos de COMBINAÇÃO POR SIMILARIDADE, em que o vinho a e comida possuem características parecidas, vinho doce com sobremesa doce, vinho com acidez pungente e pratos com molhos ácidos, vinhos tânicos com pratos de textura mais pesada.
A segunda combinação é o que chamamos por COMBINAÇÃO POR OPOSIÇÃO, em que o vinho e a comida casam por que são diferentes: queijos azuis salgados com vinhos doces licorosos, um exemplo clássico.
Há uma terceira combinação que é POR INTENSIDADE, nesse caso os pratos leves combinam com vinhos leves, pratos pesados com vinhos encorpados. O equilíbrio, como todos sabem, é fundamental para um bom casamento.
Outro tipo de harmonização é o REGIONALISMO, é bem melhor casar com que fala a mesma língua, que tenha os mesmos costumes, que tenha uma educação parecida... é mais fácil de dar certo, não que seja uma regra. Enfim, algumas combinações regionais: vinho do Porto com queijo Stilton, um belo ojo de bife argentino mal passado com um vinho tinto Malbec, uma massa com molho de tomate ao sugo e um chianti, um kassler grelhado com um riesling meio doce... até a nossa feijoada com caipirinha é uma harmonização por regionalismo! Quem sabe se no futuro a feijoada não se casa com os nossos espumantes?
E para finalizar, antes de apresentar duas pessoas é melhor conhecê-las bem, já pensou se apresentamos um vegetariano para uma louca por churrascaria? Ou já pensou se apresentamos uma corinthiana roxa para um palmeirense fanático??? Para evitar gafes é melhor conhecer bem o vinho e o prato, mas claro que mesmo com toda essa teoria e esse conhecimento é só na prática que a gente vai saber se o casamento deu certo, ou não. É só comendo que a gente vai saber...
Então pessoal, esse é o ano em que todo mundo deve casar!!!! Eu não sei vcs, mas eu vou!!!!
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Bj