Agora é a hora de beber, aconselho a passar vigorosamente o vinho por todas as partes da boca, bochecar mesmo, para uma melhor absorção na mucosa. Quando se trata de vinho tinto, o primeiro gole não serve para as análises, é para “avinhar a boca”, isto é formar os complexos de tanino na língua. Bochechar não é gargarejar!!! É até aceitável fazer aquele barulhinho de tomar sopa quente.
Os aspectos que devem ser levados em consideração:
Açúcar: o sabor doce não é só provocado pela glicose e frutose residuais, muitas pessoas também podem senti-lo através do álcool e glicerol que também provocam na boca uma sensação táctil de maciez. Perceptível principalmente na ponta da língua.
Acidez: é percebida na lateral da língua, no fundo da boca, como quando chupamos limão. Faz a boca salivar, a sua presença é um indício de jovialidade e boa capacidade de envelhecimento.
Amargor: característica não muito desejável, exceto em vinhos madeira ou fino espanhol, a sua presença geralmente ocorre em vinhos que foram mantidos em excesso em barricas de carvalho, ou chiptalizados.
Adstringência: causada pelos taninos, sensação de boca amarrada, banana verde. Os taninos se complexam com as proteínas da saliva formando partículas insolúveis, por isso causam a sensação de pequenas agulhas. Nos tintos os taninos são essenciais elementos de textura. Eles variam em quantidade e em qualidade. Existem vinhos com muitos taninos de qualidade inferior, mais grosseiros, resultando num produto desagradável, de textura adstringente. Já os taninos de qualidade, mesmo que em grande quantidade, dão uma sensação aveludada, pois os grãos são mais finos. Quando jovens, os vinhos podem parecer um pouco duros, agressivos em contato com a mucosa, mas perceber sua qualidade é importante, pois assim saberemos se com o tempo haverá uma evolução na garrafa. Os taninos dão mais ou menos firmeza ao vinho, dependendo de sua de suas diferentes texturas.
Álcool: responsável pela sensação de calor e peso na boca, e quando está em desequilíbrio, a mais, parece queimar a mucosa da gengiva; quando o álcool do vinho está em harmonia com os outros elementos, ele será volumoso, enchendo a boca com uma untuosidade que dá a sensação de gordura e serve de condutor para os sabores do vinho na via retronasal, intensificando sua percepção. Este volume é percebido quando o vinho se mantém na boca e passamos a língua pela mucosa. Se a língua escorrega, dando a sensação de cremosidade, sem queimar, estamos diante de um vinho com bom volume. Este elemento do vinho é como uma pele que recobre todos os outros, dando uniformidade quando bem fundido com eles.
Corpo: provém da matéria sólida da uva, no caso dos tintos, os tanino, extratos e o álcool. Nas uvas brancas não há taninos então o corpo é somente o álcool e extrato. É um termo usado para caracterizar o "peso" aparente do vinho, ou seja, a sensação de plenitude resultante da densidade ou viscosidade do vinho no pálato. Pode também ser descrito como quão diferente da água é a sensação que o vinho causa na boca. As extremidades da escala costumam ser o "corpo leve" e o "muito encorpado".
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