Olá pessoal,
Sim é possível produzir bons vinhos em qualquer lugar do mundo, isso é algo que eu e Michel Rolland acreditamos, pois atualmente temos tecnologia e pessoas muito criativas. Isso só é possível por uma série de fatores:
PS: Essa foto não é montagem, eu realmente conheci o homem, que é super simpático. Pena que o garçon é melhor servindo mesas do que tirando fotos... Kairo, vc é lindo, viu!
Essa é uma pergunta do Gustavo Mansur que eu achei tão interessante que resolvi escrever um post para comentar: "Existem tantos outros fatores de solo e clima. Será que acreditar que podemos produzir grandes vinhos no clima quente do S. Francisco não é o mesmo que acreditar que dá pra produzir bom vinho em qualquer lugar?"...
PS: Essa foto não é montagem, eu realmente conheci o homem, que é super simpático. Pena que o garçon é melhor servindo mesas do que tirando fotos... Kairo, vc é lindo, viu!
Novas técnicas de produção das uvas: uso de ventiladores para geadas, novas formas de condução das videiras, irrigação, "botrytis artificial", inversão de ciclo (colher no inverso).
Novas técnicas de clonagem de plantas, uvas resistentes a temperatura, uvas resistentes à certas pragas, uvas mais doces, umas menos ácidas, com maturação tardia, com maturação precoce.
Novas técnicas de produção de vinhos: liofilização para concentração de mostro, sangria de mostro, maceração carbônica, estabilização à frio, fermentação alcoólica a baixíssimas temperaturas, congelamento forçado, filtração com cerâmica.
Novas leveduras mais resistentes, que fermentam até 16 graus, ou a baixas temperaturas, que possuem melhor rendimento.
Não quero discutir estilos de vinho, pois existe o vinho que "Deus nos deu", o vinho de terroir e o vinho descrito acima, digamos tecnológico. Claro que são conceitos bem distintos e produtos bem distintos, o vinho "fruto da tecnologia" não tem nenhuma característica peculiar, todos são bem parecidos: muita fruta, taninos potentes e macios, acidez domada e nem sempre com alta persistência, daí tanto faz se é brasileiro, sul-africano, sueco, chinês, argentino... todos serão assim, mas isso não significa que não seja bom, é conceito do vinho estilo coca-cola, easy drink, sem surpresas.
Como também não existe a frase tal país não tem clima para a produção, pois se é quente e chuvoso, seleciona-se clones mais adaptados, ou como no caso de São Paulo, faz a inversão de ciclo e colhe-se no inverno que chove menos, usa-se uvas com maturação precoce. Se o clima é quente e a uva não desenvolve acidez, adiciona-se ácido cítrico, se o clima é frio e fica ácido demais, adiciona-se soda para abaixar a acidez, se o solo é rico demais planta-se outras culturas para competir com os nutrientes, se é plano demais, faz se a drenagem. Para tudo tem uma solução e se não tiver, com certeza alguém vai estudar sobre.
O único país que não conseguiu-se produzir vinho de qualidade, segundo o próprio Michel Rolland, foi na Índia, mais por questões culturais e financeiras do que tecnológicas e climáticas, pois lá a água é contaminada (a cólera é endêmica) e as pessoas não seguem noções básicas de higiene. Daí sairia muito caro para uma empresa fazer todo o tratamento de água e treinamento de funcionários, o que tornou o negócio inviável.
Clima e tecnologia são paradigmas que logo sairão de cena na produção de bons vinhos, eu acho que a grande barreira ainda será econômica, de mercado ede tradição, a famosa curva de aprendizado para os produtores, não dá para competir do zero com alguém que já está consolidado no mercado há tanto tempo, vide a tetrapak por exemplo, não tem concorrentes diretos e imaginem a quantidade de capital a ser investida para se conseguir todas as inovações que ela já fez, faz, ou fará, para se competir em igualdade????
Enfim, Gustavo obrigada pela dúvida, espero ter te elucidado um pouco, e não ter te deixado mais confuso ainda...
Bjos
Ivi
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