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Tecnologia nas embalagens

Oi pessoal,

Hj eu vou falar sobre os benefícios da tecnologia nas embalagens dos vinhos. Como boa engenheira de alimentos (nem tão boa assim pq eu saí da área faz anos e resolvi me dedicar somente ao vinho) eu sou super adepta as novidades.

E nessa área não podemos ser preconceituosos de forma alguma, pois para toda cabeça existe um chapéu, para toda panela tem uma tampa... até frigideira tem tampa!!!! Sendo assim, para todo tipo de vinho tem o seu público.

Vamos começar com as tampas de rosca ou screw cap. Elas são usadas para vinhos mais baratos (até R$50,00) e de consumo rápido (até 4 anos), principalmente vinhos brancos que não podem de forma alguma entrar em contato com o oxigênio. É para o chamado vinho de beira da piscina, como diria meu professor, é para vinhos leves, refrescantes e descompromissados.

Os australianos e o neozelandeses foram os pioneiros no uso dessa tecnologia. O grande benefício dessa tampa é que o vinho não precisa ser armazenado deitado, pode perfeitamente ser armazenado em pé e é super fácil de abrir, não precisa de abridor, nem sempre todas as pessoas andam com o abridor na bolsa como eu e sempre pago mico na porta do banco...

Não necessariamente essas tampas são mais baratas que as rolhas de cortiça e tb não há garantia de que os vinhos nessas embalagens seja isento de bouchoneé, pois o fungo tb pode estar nos equipamentos que produzem o vinho, nas barricas em qualquer lugar da vinícola.

Curiosamente o brasileiro têm horror a esse tipo de embalagem, o que eu não entendo... algumas vinícolas no Chile qdo exportam para cá colocam os vinhos em garrafas com rolhas, lá é em screw cap. Isso não significa que o vinho é pior ou melhor, isso significa que o vinho deve ser consumido mais rápido.

Mês passado provamos um vinho branco australiano de 2003, com tampa de screwcap que na teoria já devia estar no bico do corvo e para nossa surpresa o vinho ainda estava bom, não tinha estragado. Claro que os aromas eram diferentes, ele não tinha os aromas frescos e frutados de um vinho jovem, os aromas que se desenvolveram eram diferentes: aromas desenvolvidos em ambiente reduzido, sem oxigênio. Se ele tivesse sido embalado com rolha, com certeza os aromas seriam outros e talvez o vinho já tivesse estragado pelo excesso de oxidação.

Tetrapack, a mesma embalagem do leite ou do suco de laranja, nos Estados Unidos isso é super comum para vinhos abaixo de US$5,00. Essas embalagem barateiam o custo de transporte e servem para vinhos simples, para um público que não está interessado em fazer grandes análises ou meditar com o copo na mão. As marcas mais famosas Ernest&Gallo e Yellow Tale, vinhos simples, doces, sem grandes pretensões, o seu marketing é direcionado para o público que toma cerveja e nunca tomou vinho na vida, o americano médio, outro nicho de mercado.

Vinhos em Bag, como já disse é o presente preferido do Sr. Nelson! Eles são empacotados numa bolsa de plástico com uma torneirinha, daí eles colocam essa bolsa numa caixa de papelão para dar forma. Conforme vc vai tirando o vinho a bolsa de plástico murcha e o conteúdo nunca entra em contato com o ar. Excelente para eventos, uma loucura nos churrascos, o vinho usado em muitas cozinhas. A Casa Valduga tem opções muito boas de brancos e tintos, bags com 3 e 5L.

Rolha de vidro: eu só ouvi falar nas aulas, nunca vi ao vivo, mas é igual cabeça de bacalhau e filhote de pomba, só porque nunca vi não significa que não existem.

Enfim, pessoal nunca julguem um vinho pela embalagem da mesma forma que não devemos julgar ninguém pela aparência, às vezes temos boas surpresas. E antes de fazer qualquer julgamento devemos nos colocar nos sapatos dos produtores e tentar entender o propósito da existência do vinho: para que público é esse vinho? Para que ocasião? E o mais importante, para quais bolsos?


Beijocas

Iví K. Amárál

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